#Polícia | O menino de 10 anos que foi baleado três vezes na cabeça, no dia 14 de setembro, em uma propriedade rural de Palmeiras de Goiás, apresentou melhora no quadro de saúde e acordou após permanecer sedado. Segundo o avô da criança, Josmar Dias, o garoto voltou a falar e demonstra vontade de retornar para casa.
Daniel segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. Conforme informações repassadas à família, ele respira sem ajuda de aparelhos e permanece em estado estável.
“Graças a Deus, as melhoras têm sido gradativas e paulatinas, um dia após o outro. Ontem [quarta-feira, 30], ele foi extubado. Agora, nem a máscara mecânica ele quer usar. Por ter ficado muitos dias entubado, ele balbucia as palavras, fala que quer vir para casa”, contou o avô.
Josmar disse ainda que o pai biológico do menino, que mora em Portugal, retornou ao Brasil para acompanhar o filho e deve permanecer em Goiânia enquanto houver necessidade.

Mãe, padrasto e fazendeiro estão presos
A mãe da criança, Carolina Domingues Souza Cirino, o padrasto, Tiago Lopes Cirino, e o proprietário da fazenda, José Rodrigues, foram presos temporariamente pela Polícia Civil e são investigados por tentativa de homicídio qualificado e fraude processual.
As prisões têm prazo inicial de 30 dias e foram autorizadas pela Justiça. Segundo a investigação, os depoimentos apresentados pelos três possuem inconsistências que precisam ser esclarecidas.
A Polícia Civil também apreendeu celulares dos investigados e uma arma de pressão calibre 5,5 mm, conhecida como arma de chumbinho. Dois projéteis foram retirados do corpo do menino e um terceiro permaneceu alojado devido aos riscos relacionados à remoção.
De acordo com o delegado André Veloso, responsável pelo caso, a investigação ainda busca identificar quem efetuou os disparos e qual foi a participação individual de cada investigado.
A versão apresentada inicialmente pela família era de que o menino teria sido atingido acidentalmente por um disparo enquanto estava no quarto. A polícia passou a investigar outras possibilidades após identificar divergências nos relatos, entre elas a quantidade e a localização dos ferimentos.
A mãe também relatou que, após encontrar o filho ferido, chamou o padrasto. Os dois colocaram a criança no carro para levá-la ao hospital, mas durante o trajeto o veículo capotou. O padrasto teve ferimentos leves e Carolina não se feriu.
A defesa dos investigados, no entanto, afirma que eles não tiveram participação no ocorrido e que estão colaborando com as autoridades.
A Polícia Civil informou que ainda não concluiu a dinâmica dos disparos e que a responsabilização individual será definida ao longo da investigação.
Íntegra da nota da defesa de Carolina
Assunto: Esclarecimentos sobre a prisão temporária de Carolina Domingues Souza Cirino.
A defesa de Carolina Domingues Souza Cirino vem a público prestar os seguintes esclarecimentos sobre a prisão temporária decretada em desfavor de seus clientes:
A prisão decretada é de natureza temporária, medida cautelar de caráter excepcional, prevista na Lei nº 7.960/89, que não constitui antecipação de pena nem tampouco juízo de culpa. Trata-se de instrumento processual de duração limitada, destinado exclusivamente a subsidiar a fase investigatória, não representando, em hipótese alguma, condenação ou reconhecimento de responsabilidade penal.
Não há, no inquérito policial em curso, qualquer elemento que demonstre culpa ou dolo por parte dos investigados. Os atos não contam prova de autoria, muito menos de intenção deliberada de praticar ilícito. A defesa reafirma que seus clientes são investigados, não réus, e gozam da plenitude do estado de inocência, conforme garantia constitucional insculpida no art. 5º, LVII, da Constituição Federal.
A defesa acompanha o caso com absoluta transparência e confiança nas instituições, reiterando que não há fundamento jurídico que sustente qualquer juízo antecipado de culpabilidade. Eventuais ilações ou conclusões precipitadas sobre os fatos são desprovidas de respaldo legal e probatório.
A defesa adotará todas as medidas cabíveis para assegurar o restabelecimento da liberdade de seus clientes e o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, nos termos da lei.
Colocamo-nos à disposição para os esclarecimentos que se fizerem necessários, sempre no estrito respeito ao sigilo profissional e às garantias processuais.
Palmeiras de Goiás, 21 de setembro.
ARLEN LUÍS BATISTA SILVA
OAB-GO 34.111
Íntegra da nota da defesa de Tiago e José
Em razão da repercussão dos fatos envolvendo o menor Daniel Domingues Correia, a defesa de JOSÉ RODRIGUES DE MORAIS e TIAGO LOPES CIRINO esclarece que ambos não tiveram qualquer participação no ocorrido.
Os investigados encontram-se em prisão temporária, medida cautelar adotada durante a fase de investigação, justamente para possibilitar o esclarecimento dos fatos. Não se trata de condenação ou reconhecimento de autoria, mas de uma apuração que ainda está em curso.
José Rodrigues de Morais e Tiago Lopes Cirino estão à disposição da Justiça e colaborando com as autoridades, certos de que a análise de todos os elementos da investigação permitirá esclarecer a dinâmica dos acontecimentos e demonstrar que não participaram do fato.
A defesa respeita a gravidade do caso e entende que, neste momento, o mais importante é permitir que as autoridades concluam o trabalho investigativo com serenidade, responsabilidade, imparcialidade e que a verdade será esclarecida pela investigação e pelas provas.
Dr. Ulisses Trindade de Faria
OAB/GO 28.716
Advogado de José Rodrigues de Morais e Tiago Lopes Cirino.
Fonte: O Popular





