Queima de fogos exige atenção e empatia durante o Réveillon; Palmeiras de Goiás tem lei que proíbe a queima de fogos com estampido

#Notícias | Com a chegada do Réveillon, Palmeiras de Goiás se prepara para uma noite de celebração, marcada pela festa pública organizada pela Prefeitura, além das tradicionais comemorações em residências espalhadas pela cidade. No entanto, especialistas alertam que a queima de fogos com estampido pode causar sérios impactos à saúde de pessoas mais sensíveis aos ruídos, como autistas, crianças pequenas e idosos. Em Palmeiras de Goiás, a Lei nº 1.380/2022, proíbe a queima, o manuseio e a soltura de fogos de artifício com estampido.

De acordo com profissionais da área da saúde, o barulho intenso e prolongado dos fogos de artifício pode desencadear crises sensoriais em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O neuropediatra Anderson Nitsche explicou à Agência Brasil, que essa sensibilidade auditiva faz com que o cérebro processe o som como uma ameaça, e não como uma celebração.

“Para muitas pessoas autistas, o barulho é interpretado como algo negativo, gerando ansiedade, medo, irritabilidade e até alterações no sono que podem durar vários dias”, destaca o especialista.

Crise sensorial e impactos no comportamento

Durante uma crise sensorial, a pessoa pode apresentar desde angústia intensa e vontade de fugir do local, até comportamentos de autoagressão ou agressividade, causados pela sobrecarga de estímulos. Segundo a neurologista Vanessa Rizelio, o cérebro não consegue compreender que aquele som alto representa um momento festivo.

“O organismo reage como se estivesse em perigo. Há liberação de adrenalina, aceleração dos batimentos cardíacos e elevação da pressão arterial”, explica a neuropediatra Solange Vianna Dultra.

Em cidades como Palmeiras de Goiás, onde além do evento público muitos moradores soltam fogos em casa, o impacto tende a ser ainda maior, pois o barulho começa horas antes da meia-noite e pode se estender pela madrugada.

Crianças e idosos também sofrem

Os bebês e crianças pequenas também são bastante afetados, principalmente pela interrupção do sono. Já os idosos, especialmente aqueles com algum grau de demência, podem apresentar confusão mental, delírios e agitação, além de prejuízos à memória e ao raciocínio no dia seguinte.

“O idoso pode não entender o que está acontecendo e interpretar o som como uma situação de risco”, alerta Vanessa Rizelio.

Empatia e alternativas

Em várias cidades brasileiras, já existem leis que proíbem fogos com barulho, priorizando os chamados fogos silenciosos, além de alternativas como espetáculos de luzes e drones. Especialistas defendem que essas opções mantêm o simbolismo da virada do ano, sem causar sofrimento a parte da população.

“A celebração deve ser coletiva e inclusiva. Quando a alegria de uns provoca dor em outros, é legítimo repensar a tradição”, afirma a psicóloga Ana Maria Nascimento.

No ambiente doméstico, medidas simples podem ajudar a minimizar os impactos, como manter portas e janelas fechadas, usar ruído branco, protetores auriculares para crianças maiores e escolher ambientes mais tranquilos dentro da casa.

Especialistas reforçam que o autismo atinge cerca de 3% da população mundial, e nem todos apresentam sensibilidade auditiva, mas muitos sofrem intensamente com o excesso de ruído. Por isso, a palavra-chave para este Réveillon é empatia.

“Celebrar a chegada de um novo ano também significa acolher, respeitar e pensar no bem-estar de todos”, conclui Anderson Nitsche.

Em uma cidade que se prepara para festejar, o convite é para que moradores e visitantes de Palmeiras de Goiás celebrem com alegria, mas também com respeito e responsabilidade, garantindo um início de ano mais humano e inclusivo para todos.

Em Palmeiras de Goiás a Lei Municipal nº 1.380/2022, proíbe a queima, o manuseio e a soltura de fogos de artifício com estampido em todo o município – seja em locais públicos ou privados, abertos ou fechados. Somente é permitido fogos de vista, que produzem efeitos visuais sem barulho, além de artefatos de uso policial ou de segurança.

A Lei visa proteger pessoas com sensibilidade ao som, crianças, idosos, pessoas com deficiência e os animais.

Com Agência Brasil