Da recompensa à prisão: escalada de tensões entre EUA e Venezuela termina com captura de Nicolás Maduro

#Internacional | A escalada de tensões entre Estados Unidos e Venezuela, que se intensificou nos últimos meses, teve um desfecho decisivo neste sábado (03/01). O presidente norte-americano Donald Trump confirmou que forças americanas realizaram uma operação militar em território venezuelano, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro, que foi retirado do país junto com a esposa.

A ação ocorreu após semanas de ameaças, sanções e reforço militar dos EUA na região do Caribe. Explosões foram registradas em Caracas durante a madrugada, marcando o ponto culminante de um conflito diplomático e militar que vinha se agravando desde agosto.

O estopim da crise ocorreu em agosto, quando o governo dos Estados Unidos dobrou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão ou condenação de Maduro. O presidente venezuelano é acusado pelos EUA de liderar o chamado Cartel de los Soles, classificado recentemente como organização terrorista internacional ligada ao tráfico de drogas.

A partir desse anúncio, Washington passou a reforçar sua presença militar no Caribe, com o envio de navios de guerra, submarinos nucleares e aeronaves estratégicas, sinalizando que não descartava ações diretas contra o regime venezuelano.

Ataques e captura

Segundo informações da Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em Caracas em um intervalo de cerca de 30 minutos, por volta das 2h da manhã (horário local). Moradores relataram tremores, aeronaves voando baixo e correria nas ruas.

Trump confirmou que os ataques tinham como objetivo alvos estratégicos e afirmou que Maduro foi capturado por forças norte-americanas e levado para fora da Venezuela. O governo venezuelano declarou estado de emergência, acusou os EUA de bombardearem alvos civis e militares e afirmou que ataques também atingiram os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Até o momento, não há informações oficiais sobre feridos.

Meses de confronto e acusações

Nos meses que antecederam a operação, os EUA intensificaram ações contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas ligadas à Venezuela, apreenderam petroleiros e anunciaram bloqueios comerciais. Em novembro, o Cartel de los Soles foi oficialmente incluído na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos, o que, segundo autoridades americanas, passou a permitir ações militares diretas contra integrantes do regime.

Por outro lado, o governo venezuelano vinha classificando as medidas de Washington como imperialistas, acusando os EUA de tentar controlar o petróleo do país e derrubar Maduro à força.

Desfecho e repercussão

A captura de Nicolás Maduro marca o ponto mais grave da crise diplomática entre os dois países em décadas e abre um novo capítulo de incertezas políticas e institucionais na Venezuela. Até o momento, não foram divulgados detalhes oficiais sobre o local para onde Maduro foi levado, nem sobre os próximos passos jurídicos ou diplomáticos da operação.

A comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos, enquanto cresce o temor de instabilidade regional após a ação militar que encerrou, de forma abrupta, o governo de Nicolás Maduro.

Fumaça mostra um locais atacados pelos EUA, em Caracas, na Venezuela

Pelas redes sociais, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva condenou a ação militar e cobrou uma resposta da Organização das Nações Unidades (ONU). “Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, escreveu o presidente brasileiro.

Fontes: G1 e Agência Brasil | Fotos: Reuters