Alta no preço do boi pressiona frigoríficos e leva gigantes do setor a reduzirem operações em Mato Grosso

#Agro | O avanço expressivo no preço da arroba do boi gordo já começa a impactar diretamente a indústria frigorífica brasileira. Em Mato Grosso, empresas do setor anunciaram medidas para conter custos diante da pressão sobre as margens de lucro.

A JBS informou que vai suspender, por cerca de 20 dias, as atividades de duas unidades de abate localizadas nos municípios de Água Boa e Pedra Preta. A paralisação começa na próxima segunda-feira (13/04).

Durante esse período, os funcionários entrarão em férias coletivas, enquanto a empresa aproveitará a pausa para realizar manutenção e ajustes operacionais nas plantas.

Outra gigante do setor, a BRF (citada no mercado como MBRF), também já dá sinais de desaceleração. Segundo fontes da indústria, a empresa reduziu turnos de produção na unidade de Várzea Grande, indicando que o aperto nas margens começa a afetar o ritmo das operações.

Disparada da arroba pressiona custos

O principal fator por trás dessa freada é a forte valorização da arroba do boi gordo, que elevou significativamente o custo da matéria-prima para os frigoríficos.

De acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, o preço do boi a prazo em Mato Grosso subiu 2,41% apenas na última semana, fechando com média de R$ 349,50 por arroba.

No mercado físico, os valores estão ainda mais elevados:

  • Boi comum: entre R$ 357 e R$ 360 por arroba
  • Boi China: chegando a R$ 365 por arroba

Com as escalas de abate ainda curtas, variando entre 4 e 8 dias, muitas indústrias têm aceitado pagar os preços pedidos pelos pecuaristas para evitar a ociosidade das plantas.

Cenário de pressão e ajuste

O atual cenário evidencia um momento delicado para o setor frigorífico, que enfrenta o desafio de equilibrar custos elevados com a necessidade de manter a produção ativa. A combinação de matéria-prima cara e escalas apertadas tem forçado empresas a adotarem medidas de ajuste, como paralisações temporárias e redução de turnos.

A expectativa do mercado agora gira em torno da evolução dos preços do boi gordo e da capacidade das indústrias de absorver esses custos sem comprometer ainda mais suas operações.

Fonte: Agro Expresso | Foto ilustrativa