#Saúde | O Ministério da Saúde anunciou na segunda-feira (08/06) a suspensão temporária da estratégia de vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada após a identificação de 42 casos de reações adversas graves registrados pelo sistema nacional de vigilância pós-vacinação.
Segundo a pasta, três pessoas precisaram ser hospitalizadas após apresentarem sintomas severos, e duas delas morreram. Apesar disso, o governo federal ressaltou que ainda não há comprovação de que os eventos tenham sido causados pela vacina.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a decisão foi tomada por precaução para permitir uma investigação mais aprofundada dos casos. “Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Butantan aprofundem a investigação nos casos registrados e busquem possíveis fatores de risco”, declarou o ministro durante coletiva de imprensa.

Suspensão não afeta a vacina Qdenga
O Ministério da Saúde esclareceu que a suspensão vale exclusivamente para a vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan.
A medida não afeta a vacina Qdenga, fabricada pelo laboratório Takeda e atualmente utilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em diversas regiões do país.
Mais de 500 mil doses já foram aplicadas
Desde sua incorporação ao SUS, em janeiro deste ano, mais de 500 mil doses da vacina do Butantan foram aplicadas no Brasil.
A estratégia inicial previa a vacinação de adolescentes e adultos entre 15 e 59 anos em municípios-piloto, como Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Posteriormente, a campanha também foi ampliada para a região de Araguaína (TO).
Em fevereiro, a vacinação passou a contemplar profissionais da atenção primária à saúde, público que inclui trabalhadores das unidades básicas de saúde.
Casos graves serão investigados
Dos mais de 500 mil vacinados, 3.703 pessoas apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a 0,7% do total.
Entre esses casos, 42 pessoas desenvolveram sinais de alerta, como:
- Dor abdominal intensa;
- Vômitos persistentes;
- Sangramentos;
- Quadro clínico compatível com dengue grave.
Os três casos mais severos registrados foram:
- Uma mulher de 39 anos que apresentou sintomas graves seis dias após a vacinação, precisou de internação em UTI e recebeu alta;
- Uma mulher de 48 anos que desenvolveu dengue grave com comprometimento neurológico e morreu;
- Um homem de 58 anos que apresentou quadro grave com choque refratário e também faleceu.
Segundo o Ministério da Saúde, serão analisados o histórico clínico dos pacientes, doenças preexistentes, possíveis fatores de risco individuais, causas alternativas, além de eventuais desvios de qualidade ou erros de imunização.
Vacinados continuam protegidos
Apesar da suspensão temporária, o Ministério da Saúde enfatizou que a decisão não invalida a eficácia da vacina e que as pessoas já imunizadas continuam contando com a proteção oferecida pelo imunizante.
A pasta informou ainda que os vacinados nos últimos 21 dias receberão acompanhamento especial para identificação precoce de possíveis reações adversas.
A orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde em caso de sintomas como:
- Febre persistente;
- Dor abdominal intensa;
- Vômitos frequentes;
- Sangramentos;
- Tontura;
- Sonolência excessiva;
- Irritabilidade;
- Sinais de desidratação;
- Piora do estado geral.
Butantan defende segurança da vacina
Em nota oficial, o Instituto Butantan informou que concorda com a interrupção temporária da vacinação para reavaliação da estratégia adotada e aprofundamento das investigações.
A instituição destacou que estudos científicos internacionais apontaram eficácia global de 79,6% contra a dengue e de 89% contra formas graves da doença.
“O Instituto Butantan seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve”, informou a entidade.
A expectativa agora é que os estudos complementares permitam identificar se existe alguma relação entre os casos registrados e a vacinação ou se os eventos possuem outras causas associadas.
Fonte: Agência Brasil






