#Polícia | A investigação sobre o menino de 10 anos baleado na cabeça no Assentamento Canudos, na zona rural de Palmeiras de Goiás, teve uma reviravolta nesta segunda-feira (21/09). A mãe, o padrasto da criança e o proprietário da casa onde a família mora, foram presos temporariamente pela Polícia Civil.
O caso, inicialmente tratado como um possível disparo acidental de uma arma de pressão, passou a ser investigado como tentativa de homicídio qualificado, segundo o delegado André Veloso. A Polícia Civil também apura possível crime relacionado à tentativa de dificultar ou alterar o curso das investigações.
As prisões ocorreram após novas diligências, perícias e depoimentos apontarem inconsistências na versão apresentada inicialmente pela família. As informações foram confirmadas pelo delegado responsável pela investigação.
Criança foi atingida por três disparos
Segundo André Veloso, a investigação identificou que o menino não teria sido atingido por apenas um disparo, como apontava inicialmente a versão apresentada pela mãe.
A criança sofreu três ferimentos provocados por disparos de uma arma de pressão conhecida como “arma de chumbinho”. De acordo com o delegado, dois disparos atingiram a região frontal da cabeça e um terceiro atingiu a lateral, sendo o ferimento mais grave, com transfixação e alojamento do projétil na região do cérebro.
O caso está tendo muita repercussão em todo o Estado, diante da gravidade.
A arma utilizada no episódio foi apreendida durante as primeiras diligências realizadas na propriedade.
Versão do disparo acidental passou a ser descartada
Inicialmente, a mãe relatou que estava em outro cômodo da residência quando teria ouvido um disparo. Segundo a versão apresentada naquele momento, o menino estaria no quarto e teria tido acesso à arma de pressão.
A Polícia Civil, porém, afirma que as diligências realizadas posteriormente demonstraram que essa dinâmica não seria compatível com os vestígios encontrados e com as informações levantadas pelos investigadores.
O delegado André Veloso afirmou que foram realizadas diversas diligências para confrontar as versões apresentadas pelos envolvidos e que a investigação chegou à conclusão de que alguém efetuou os disparos contra a criança.
A polícia ainda trabalha para esclarecer quem efetuou os tiros, qual foi a participação individual de cada preso e o que teria motivado a agressão.

Vizinhos ouviram pedidos de socorro
Outro elemento considerado pelos investigadores são os relatos de moradores próximos à propriedade.
Segundo informações repassadas pelo delegado, vizinhos teriam ouvido a criança gritando “ai, ai, ai, mãe, mãe, mãe”. Posteriormente, a mãe teria pedido socorro, levando os moradores a se dirigirem até a residência.
Esses depoimentos passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pela Polícia Civil.
Padrasto teria apresentado versão investigada pela polícia
O padrasto também apresentou inicialmente uma versão sobre sua localização no momento em que o menino foi baleado.
Segundo a investigação, ele afirmou que estava fora da residência, em uma propriedade vizinha. As diligências realizadas posteriormente, entretanto, teriam identificado inconsistências nessa narrativa.
Conforme informações divulgadas sobre o caso, o homem esteve na propriedade vizinha por um período considerado incomum pelos investigadores, em horário próximo ao ocorrido. A Polícia Civil passou a analisar essa movimentação como parte da apuração.
Dono da propriedade também foi preso
O terceiro preso é o proprietário da casa onde a família morava. Conforme as informações divulgadas pelo delegado, ele residia no mesmo local junto com a família e mantinha uma relação próxima com o padrasto da criança.
A polícia também investiga a conduta dele após a chegada da Polícia Militar à propriedade. Segundo o delegado, o homem teria dificultado o trabalho dos policiais no local, circunstância considerada pela investigação para justificar a prisão temporária.
A prisão, portanto, não significa que a Polícia Civil já tenha definido a participação individual de cada um. Essa é uma das questões que continuam sendo investigadas.
Carro capotou durante tentativa de levar menino ao hospital
Após o menino ser ferido, familiares colocaram a criança em um Jeep Renegade para levá-la em busca de atendimento médico.
Durante o deslocamento, o veículo acabou capotando. O padrasto também ficou ferido no acidente e precisou de atendimento médico.
A Polícia Civil não considera o capotamento como de propósito e apura de forma individualizada as circunstâncias relacionadas ao acidente e ao socorro da criança.
O capotamento já havia sido confirmado durante as primeiras informações sobre o caso.
Transferência de helicóptero para Goiânia
O menino recebeu os primeiros atendimentos no Hospital Municipal Natalino Alberto de Morais, em Palmeiras de Goiás. Devido à gravidade dos ferimentos, foi transferido de helicóptero do Corpo de Bombeiros para o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia.
A criança permanece internada em estado grave na UTI Pediátrica da unidade, segundo as informações mais recentes divulgadas sobre o caso.
Familiares e amigos também mobilizaram uma campanha para doação de sangue para o menino. O Banco de Sangue do Hugol informou que doações podem ser destinadas à criança e, caso não sejam utilizadas diretamente por ela, poderão beneficiar outros pacientes.
Prisões são temporárias
Os três investigados tiveram prisão temporária determinada pela Justiça e foram encaminhados para os procedimentos policiais.
A prisão temporária tem prazo determinado e ocorre durante a investigação. O objetivo, neste momento, é permitir o aprofundamento das diligências, incluindo a análise dos vestígios, depoimentos e demais elementos reunidos no inquérito.
A Polícia Civil ainda precisa esclarecer a dinâmica completa do crime e individualizar a responsabilidade de cada um dos três presos.
Os investigados são considerados suspeitos e têm direito à defesa e à presunção de inocência até eventual decisão judicial definitiva.
O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil de Goiás.






