#Brasil | Apesar da suspensão temporária de exportações para 17 mercados internacionais devido aos recentes casos de gripe aviária no Rio Grande do Sul, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, garantiu que não há previsão de impacto significativo no preço da carne de frango no mercado brasileiro. A afirmação foi feita nesta segunda-feira (19/05), durante coletiva de imprensa em Brasília (DF).
Segundo Fávaro, a produção nacional é robusta e, mesmo com restrições temporárias, o mercado interno absorve grande parte da carne de frango. “Acredito muito mais em pequenas variações. Pode haver um excesso de oferta por 10 a 15 dias, mas os embarques serão redirecionados ou retomados conforme os países flexibilizarem seus protocolos sanitários”, explicou o ministro.
O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango, com mais de 5,2 milhões de toneladas exportadas para 151 países em 2024, gerando US$ 9,9 bilhões em receita, conforme dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Cerca de 35% da produção nacional é destinada ao mercado externo, com Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul respondendo por 78% das exportações.
Os principais destinos são China, Japão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, África do Sul, Filipinas, União Europeia, México, Iraque e Coreia do Sul.
Suspensões e investigação de casos
Até agora, 17 mercados suspenderam total ou parcialmente as importações de carne de frango brasileira, incluindo México, Coreia do Sul, Canadá, Chile, China, União Europeia, Argentina, entre outros. Em muitos desses casos, as suspensões são limitadas ao Rio Grande do Sul ou ao município de Montenegro, onde está localizado um dos dois focos confirmados da doença — o outro foi detectado em um zoológico de Sapucaia do Sul, também na região metropolitana de Porto Alegre.
Outros sete casos seguem sob investigação em estados como Tocantins, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Casos em Mato Grosso, Sergipe e Ceará já foram descartados.
Monitoramento e controle
O governo federal afirmou que o país está agindo com rigor para conter os focos e manter a confiança internacional. De acordo com o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, o Brasil é o único país do mundo que disponibiliza um painel público, com atualizações em tempo real, sobre síndromes respiratórias e nervosas em aves.
Mais de 310 das 538 propriedades rurais da região de Montenegro já foram visitadas pelas equipes de vigilância, e barreiras sanitárias foram instaladas. Cerca de 17 mil aves foram sacrificadas ou morreram em decorrência da doença, e 70 mil ovos foram destruídos. Os ovos férteis enviados para outras regiões nas últimas semanas também estão sendo rastreados e descartados.
Expectativa de recuperação gradual
O ministro Fávaro reforçou que o país precisa aguardar um ciclo de 28 dias sem novos casos confirmados para fazer uma autodeclaração à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A expectativa do governo é que, com a contenção do foco, as exportações sejam gradualmente retomadas.
“A experiência do ano passado, com a doença de Newcastle, mostrou que os preços se mantiveram relativamente estáveis. Além disso, 70% da produção de carne de frango já é destinada ao mercado interno. Portanto, mesmo que houvesse uma suspensão geral — o que não é o caso — o impacto seria limitado”, disse Fávaro.
Sistema agropecuário brasileiro é um dos mais confiáveis do mundo
O Ministério da Agricultura destacou ainda que o sistema de defesa sanitária agropecuária do Brasil é um dos mais eficientes do mundo, tendo levado 19 anos para registrar um foco em granjas comerciais, mesmo com o vírus circulando globalmente desde 2006.
“Era inevitável que um dia acontecesse, mas o sistema brasileiro está preparado. Nossa resposta rápida e transparente é uma contraprova da robustez e seriedade com que tratamos a sanidade animal no país”, afirmou Fávaro.
Com medidas preventivas intensificadas e protocolos de biossegurança em curso, o governo reafirma o compromisso de proteger a produção nacional e manter a credibilidade internacional do agronegócio brasileiro.
Fonte: Agência Brasil | Foto: AB






