#Brasil | O governo federal iniciou nesta terça-feira (15/07) uma série de reuniões com representantes da indústria e do agronegócio para discutir estratégias diante da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. As conversas foram lideradas pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, que defendeu uma atuação firme, mas serena, para reverter a medida.
Durante a primeira reunião com o setor industrial, realizada pela manhã, Alckmin destacou que o governo vai buscar a negociação sem abrir mão da diplomacia e da legalidade, mas com clareza sobre os impactos econômicos da taxação. “É importante a participação de cada um de vocês, nas suas áreas específicas, para fazermos um trabalho em conjunto. O governo brasileiro está empenhado em resolver essa questão e queremos ouvir as sugestões de cada um de vocês”, afirmou o vice-presidente.
No período da tarde, o encontro será com representantes do agronegócio, outro setor diretamente impactado pela nova tarifa, prevista para entrar em vigor no dia 1º de agosto. Segundo Alckmin, o governo também pretende dialogar com empresas americanas que mantêm relações comerciais com o Brasil, mostrando que a medida pode ser prejudicial à economia dos dois países.
A ofensiva diplomática será conduzida pelo recém-criado Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, composto por representantes dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fazenda, Relações Exteriores e Casa Civil. Outras pastas também foram convidadas a participar das tratativas.
Alckmin lembrou que o governo brasileiro já havia enviado uma proposta de negociação aos EUA em maio, mas não obteve resposta. “Foi encaminhado, até em caráter confidencial, uma proposta para os Estados Unidos, que não foi respondida ainda. E até sexta-feira, antes do anúncio, estavam ocorrendo reuniões no nível técnico”, explicou.
O vice-presidente também destacou que o Brasil não tem superávit comercial com os EUA e que, portanto, a tarifa não se justifica. “Dos dez produtos que os Estados Unidos mais exportam para o Brasil, oito têm tarifa zero. Então, vamos trabalhar junto com a iniciativa privada para reverter essa decisão que consideramos inadequada”, completou.
Enquanto aguarda um possível recuo dos EUA, o governo brasileiro já estuda medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional neste ano. A regulamentação da lei foi publicada nesta terça-feira e pode orientar a adoção de contramedidas comerciais, caso não haja avanço nas negociações.
Fonte: Agência Brasil






