#Brasil | O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na noite deste domingo (16/08), na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A empresa declarou à Justiça um passivo de aproximadamente R$ 17,3 bilhões. A empresa também anunciou o fechamento de quase 300 lojas em todo o país.
O pedido envolve dez empresas do grupo, entre elas as responsáveis pelas marcas Casas Bahia e Ponto Frio, além do e-commerce Extra.com, da fabricante de móveis Bartira e de subsidiárias das áreas de logística e tecnologia.
A medida ocorre em meio ao agravamento da crise financeira da companhia, que anunciou neste fim de semana um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Com o resultado, a varejista chegou ao oitavo trimestre consecutivo de perdas.
Quase 300 lojas devem ser fechadas
Como parte do processo de reestruturação, o grupo prevê o fechamento de 298 lojas e cortes que podem alcançar cerca de 3 mil funcionários.
A empresa possui centenas de unidades físicas espalhadas pelo país e também atua por meio de plataformas digitais. A redução da estrutura faz parte do chamado Plano de Transformação, iniciado em 2023 com medidas como corte de despesas, redução de estoques e fechamento de unidades consideradas deficitárias.
A companhia afirma que as medidas adotadas até agora produziram apenas um alívio temporário diante da deterioração das condições financeiras.
Juros altos e crédito mais caro
Na documentação apresentada à Justiça, a Casas Bahia relaciona a crise a uma combinação de fatores. Entre eles estão os investimentos realizados em tecnologia, logística e digitalização a partir de 2019, os efeitos da pandemia sobre as lojas físicas, a elevação dos juros e a dificuldade de acesso ao crédito.
A empresa também aponta o aumento da inadimplência dos consumidores e a maior concorrência das plataformas digitais como fatores que pressionaram o negócio.
Segundo a companhia, o modelo de varejo de bens duráveis depende fortemente de capital de giro, financiamento de estoques, crédito ao consumidor e operações com fornecedores. Com o encarecimento do dinheiro, essa estrutura teria ficado cada vez mais pressionada.
Crise se agravou após recuperação extrajudicial
O pedido de recuperação judicial ocorre cerca de dois anos depois de a Casas Bahia concluir uma recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente R$ 4,8 bilhões em dívidas financeiras.
A estratégia, entretanto, não foi suficiente para solucionar os problemas estruturais da companhia. Desde o segundo trimestre de 2024, quando registrou lucro pela última vez, a empresa acumula resultados negativos.
No segundo trimestre deste ano, o prejuízo chegou a R$ 10,1 bilhões. Embora parte expressiva do resultado tenha sido provocada por efeitos contábeis e itens não recorrentes, o prejuízo ajustado também permaneceu elevado.
Com o resultado, o patrimônio líquido da companhia ficou negativo em aproximadamente R$ 8,1 bilhões.
Empresa pede medidas urgentes à Justiça
No pedido apresentado à Justiça, a Casas Bahia afirma existir risco de comprometimento das operações caso instituições financeiras retenham determinadas garantias e recebíveis.
A empresa calcula que mais de R$ 10 bilhões em contratos financeiros e comerciais poderiam sofrer vencimento antecipado.
Para evitar uma interrupção das atividades, o grupo pediu medidas como a suspensão de execuções por 180 dias, a manutenção do fluxo regular de recebíveis e a proibição de vencimento antecipado de determinados contratos.
A companhia também solicitou a liberação de mais de R$ 750 milhões em depósitos relacionados a recursos trabalhistas realizados em ações anteriores, com o objetivo de reforçar o caixa operacional.
O que acontece agora?
A recuperação judicial é um mecanismo utilizado por empresas em dificuldades financeiras para reorganizar suas dívidas e negociar com os credores, buscando preservar as atividades e evitar a falência.
Na prática, o processo deverá abrir uma nova etapa de negociação entre a Casas Bahia e seus credores. A empresa terá de apresentar um plano de recuperação, que posteriormente será analisado pelos envolvidos e submetido às regras previstas na legislação.
Apesar da grave situação financeira, a companhia informou que pretende manter suas operações durante o processo, enquanto trabalha na reestruturação do negócio e na redução de custos.
A crise coloca uma das marcas mais tradicionais do varejo brasileiro diante de um dos momentos mais delicados de sua história. O desafio agora será reorganizar uma dívida bilionária, preservar a operação e recuperar a confiança de fornecedores, bancos, investidores e consumidores.
Font: O Popular






